Antes de iniciar qualquer discussão, explicar o que é um programa bilíngue é de fundamental importância para que a sua escola tenha clareza do caminho que irá trilhar a partir dessa decisão. Um programa bilíngue é um conjunto de materiais e serviços que, implantados por uma empresa terceira à escola, trazem um currículo a ser instruído na língua alvo.

No Brasil, muito se fala sobre a Educação Bilíngue. No entanto, ainda existe pouca regulamentação que vá além do ensino da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e das línguas indígenas. Somente alguns estados, como Santa Catarina, por exemplo, têm as suas próprias diretrizes. Contudo, de forma geral, há pouco consenso nesse âmbito considerado bastante “cinzento” da escolarização.

Trazer um programa bilíngue para a sua instituição demanda, além da pesquisa do produto, gestão de tempo, planejamento e recursos. Afinal, são muitas as transformações para a escola: da cultura escolar a infraestrutura do prédio. Por isso, para te ajudar nessa tarefa, é possível contar com um programa bilíngue que seja ideal para a sua instituição. Saiba mais!

Sujeito bilíngue e sua formação 

Compreendemos, hoje, o sujeito bilíngue como aquele que é capaz de comunicar-se em duas línguas, utilizando as quatro habilidades (leitura, escrita, compreensão oral e expressão oral) de forma a manter um entendimento do que do que se transmite e uma resposta coerente ao mesmo. O sujeito bilíngue pode se constituir de diversas formas: por fazer parte de uma comunidade de fronteira com outra nação, falante de idioma diferente do nativo; formação cultural e/ou familiar; experiência em outro país; aprendizagem em cursos livres de idiomas e muito mais.

No entanto, no que se refere à escolarização de crianças e jovens em uma segunda língua, aí sim, tocamos nos desenhos da Educação Bilíngue e suas propostas de instrução, aprendizagem e avaliação. Ou seja, um movimento que está no cerne da escola.

Até pouco tempo atrás, qualquer instituição que empregasse uma ou mais línguas alvo para desenvolver uma parte do currículo escolar poderia se intitular bilíngue. Contudo, a dificuldade de estabelecer esses currículos e saber quem seria o docente capaz de aplicá-lo em cada contexto escolar, sempre gerou dúvidas e dificuldades.

Até os anos 2000, na verdade, poucas escolas faziam esse trabalho, visto ainda, como um privilégio de elites. Porém, o passar do tempo e as novas necessidades, bem como os novos papeis assumidos pelas escolas, trazem novas demandas, como o desenvolvimento das habilidades do século XXI, a aprendizagem socioemocional e o trabalho acadêmico em uma segunda língua. Isto é, o ensino bilíngue.

Pensando nas diversas veredas que o desenho desse tipo de trabalho pode ter nas muitas realidades brasileiras, as empresas de educação também passaram a dedicar-se a essa demanda. E, dessa forma, apresentam diferentes soluções para a questão de como escolarizar crianças e jovens, em uma segunda língua, objetivando seu sucesso acadêmico e a aquisição dessa língua alvo.

Nascem, assim, os programas bilíngues, ofertados e construídos para apoiar as escolas nesse caminho. Afinal, a pouca experiência de muitas instituições de ensino e a lacuna na formação de gestores e coordenadores (no Brasil, há pouca fluência na língua inglesa, por exemplo), faz com que esses desafios sejam ainda maiores. No entanto, o material de qualidade e a troca de expertise entre as empresas de educação e as escolas têm gerado excelentes resultados para as instituições e seus alunos.

Novidades a caminho 

Chega em 2020 ao Ministério da Educação, por meio do Conselho Nacional de Educação, o documento Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Bilíngue. O documento busca ampliar o entendimento de educação bilíngue para além da “educação indígena” e da “educação especial de surdos”, incluindo o inglês como língua de instrução e não apenas como aprendizagem obrigatória a partir dos anos finais do Ensino Fundamental e durante o Ensino Médio.

De acordo com o documento: “Demandas sobre educação bilíngue dialogam com diversos fatores sociais, seja de ordem internacional, nacional ou regional, frequentemente em razão de peculiaridades históricas nas quais a interculturalidade demanda ações do aparato legal constituído. No contexto vigente, a expansão da oferta e da demanda por educação bilíngue se deve à insatisfação com os resultados alcançados na educação ordinária, ao aumento da percepção de importância da segunda língua e ao vislumbre de determinadas famílias de que seus herdeiros e herdeiras eventualmente possam completar parte dos estudos da educação básica ou mesmo o ensino superior fora do Brasil. Implícito aí a percepção de valoração cultural e expectativa de desdobramentos mais favoráveis no mundo do trabalho, considerando as injunções decorrentes do incremento do fenômeno digital e suas tecnologias na determinação do ecossistema de produção.”

Essas diretrizes são um grande passo para que as escolas brasileiras possam, de fato, adequar seus planos pedagógicos e entendimentos sobre o bilinguismo. Além disso, facilitam a busca por um programa que possa suprir, de fato, as necessidades de cada instituição de ensino.

O documento expressa, ainda, o respeito aos estágios de aprendizagem dos estudantes, tanto na sua língua nativa quanto na língua alvo, incentivando o entendimento de metodologias e teorias de desenvolvimento linguístico que compreendam o sujeito que está se formando integralmente, em habilidades e competências que abrangem as de leitura, escrita e expressão oral. Para tanto, o apoio de metodologias como o CLIL (Content and Languagem Integrated Learning), isto é, o Aprendizado Integrado em Língua e Conteúdo, já demonstram bons resultados em escolas.

Ou seja 

O trabalho com a educação bilíngue pode e deve ser ampliado em todos os estados da federação, trazendo a jovens e crianças uma educação de qualidade e ainda mais inclusiva. Sabe-se que as diferentes realidades do país podem fazer esse trabalho mais ou menos difícil, levando em consideração recursos financeiros e humanos, por exemplo.

No entanto, é preciso ter em vista que buscar por um programa bilíngue nas escolas já vai muito além de uma “moda” ou apenas um “diferencial”. A experiência global oferece inúmeras vantagens para os estudantes, pois é capaz de inspirar as pessoas a progredirem em suas vidas. Por isso, o programa a ser escolhido pela sua instituição de ensino precisa trazer em si um trabalho baseado nas metodologias e abordagens já creditadas como de sucesso.

Além disso, é importante ampliar o repertório dos estudantes por meio de experiências de aprendizagem ricas e significativas, como, por exemplo, o STEAM – do inglês, Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática – ou mesmo por meio de conteúdos de aprendizagem socioemocional, que apoiam estudantes a conhecerem a si e tornarem-se mais autônomos. Trazer esses componentes para a sua escola dentro de um programa bilíngue, além de mudar a cultura escolar, permite ampliar as potencialidades de cada estudante e estimular a sua participação em uma sociedade mais ampla e justa.

Para conhecer o documento: Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Bilíngue 

Conheça a discussão das diretrizes com o relator do parecer Ivan Siqueira no evento on-line PGS Talks, gravado em 17/06/2020.

Tathy Morselli Auriema 
Consultoria de Soluções Educacionais 
Departamento Pedagógico de Expansão Pearson Brasil